“Os Eternos” foge da jornada do herói e mostra que há outras maneiras de contar uma narrativa épica

Baseado nas histórias em quadrinhos de Jack Kirby, “Os Eternos” traz seis alienígenas enviados à Terra por Arishem, um dos celestiais que criou o universo, para salvar a humanidade dos deviantes. Mais de mil anos após a vinda deles, os deviantes voltam a ameaçar a vida no mundo.  

A obra segue a proposta da fase 4 de trazer narrativas diferenciadas do que estamos acostumades no MCU, mas sem perder algumas características das tramas típicas da Marvel, como os alívios cômicos e a humanização dos personagens.

Foto: Reprodução/Marvel

Estava ansiosa para o longa-metragem, porém, sem muitas expectativas, já que não conhecia nada sobre esse universo e não procurei me aprofundar antes. No entanto, isso não foi um problema. A produção consegue nos introduzir de forma satisfatória à trama, usando de flashbacks ao longo da narrativa. O que desacelera o ritmo, contudo, não deixa a história tão cansativa. 

A fotografia ao lado da paleta de cores escolhida auxiliam a nos manter de olhares atentos na tela, fazendo jus ao épico sobre heróis que são praticamente deuses. 

O enredo é aprofundado através de camadas, a cada sequência de cenas somos apresentados a uma nova face do filme e conhecemos as dores de cada herói. O roteiro de Chloe Zao, Kaz Firpo, Ryan Firpo e Patrick Burleigh consegue destacar quase todos os dez protagonistas, sem deixar que um se sobreponha ao outro.

Da esquerda para a direita: Kingo(Kumail Nanjiani), Sersi (Gemma Chan) e Duende ( Lia McHugh). Foto: Reprodução/Marvel

 Nos apegamos e odiamos alguns deles facilmente, não direi quem para não contribuir com a corrente de spoiler que já se espalha na internet desde a estreia do longa. 

O grande elenco também contribui para a qualidade dos personagens com a sua atuação. As coreografias de luta de Angelina Jolie como Thena me deixaram literalmente sem fôlego e dava para sentir a  tensão de Ikaris, interpretado por Richard Madden, por meio da tela. Gemma Chan constrói uma bonita jornada da heroína ao longo da narrativa como a doce Sersi e o carisma da equipe fica por conta de Gilgamesh (Mae Don-Seok), Druig (Barry Keogha), Kingo (Kumail Nanjiani) e a divertida Makkari (Lauren Riddlof), que inclusive, deveria ter aparecido mais. 

Não podemos esquecer de Lia McHugh, que demonstra muita maturidade no papel de Duende, nos fazendo quase acreditar por um momento, que a adolescente é de fato um ser milenar preso a um corpo infantil. Todo o grupo é muito humano e isso é demonstrado através de suas falhas. 

Laura Riddlof criou os nomes dos “Eternos” e da nave usada pelos heróis no filme na Língua “Americana” de Sinais (ASL, em inglês). Foto: Reprodução/Marvel

Mas, a diversidade é o que merece destaque quando falamos em “Os Eternos.” Além da preocupação de trazer um grupo com protagonistas de várias etnias, a produção serve representatividade com o primeiro beijo gay em um filme de super-herói e uma personagem com deficiência auditiva, com todas as suas falas na Língua “Americana” de Sinais (ASL, em inglês). 

E antes que alguém venha dizer que busca apenas “pancadaria” quando assiste a uma produção desse gênero, é importante ressaltar que os quadrinhos, principalmente os da Marvel, sempre tiveram a responsabilidade de refletir a sociedade em diferentes épocas. Portanto, é de extrema relevância que a obra quebre com o padrão branco hétero e capacitista que já persiste em todas as narrativas de super-herói nas telonas. 

Foto: Reprodução/Marvel Studios

A diversidade não é a única questão atual presente na trama. Ela também traz problematizações ligadas ao colonialismo e a política em seu roteiro, de modo que faça sentido com a narrativa principal. 

“Os Eternos” mostra que é possível contar uma boa história épica de maneiras que fogem dos clássicos, sem perder a qualidade. 

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